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  • O cooperativismo constitui um dos pilares históricos da organização social e econômica no Brasil, caracterizando-se pela união de indivíduos em torno de objetivos comuns, com base na autogestão e na participação democrática. No setor elétrico, sua relevância se intensifica ao se articular com a geração distribuída (GD), modelo que descentraliza a produção de energia e promove a democratização do acesso às fontes renováveis.

    A análise dos dados referentes aos anos de 2024 e 2025 evidencia que as cooperativas não apenas acompanham o crescimento da GD, mas desempenham papel protagonista na expansão da potência instalada e na inclusão de milhares de unidades consumidoras (UCs), consolidando-se como agentes estratégicos da transição energética nacional.

    Cooperativas de Geração Compartilhada Distribuída

    As cooperativas de geração distribuída são empreendimentos formados por consumidores que se organizam coletivamente para produzir energia a partir de fontes renováveis, como solar, eólica, hidráulica ou biogás. Estruturadas de forma democrática e sem fins lucrativos, permitem que os cooperados compartilhem custos e benefícios, reduzindo despesas com eletricidade e participando ativamente da transição energética. A energia gerada é injetada na rede e compensada nas contas das unidades consumidoras vinculadas à cooperativa.

    Entre 2024 e 2025, o número de cooperativas de geração compartilhada distribuída apresentou incremento de 27%, passando de 110 para 140 organizações. Mais relevante, contudo, é o impacto coletivo gerado por essas entidades:

    • Usinas: de 741 para 1701 (+129%)
    • Potência instalada: de 250,6 MW para 524,9 MW (+109%)
    • UCs atendidas: de 195.850 para 331.622 (+69%)

    Esses indicadores demonstram que o cooperativismo, ao viabilizar projetos coletivos, potencializa a capacidade de geração de energia de forma exponencial. Nesse contexto, a cooperação não se limita a uma forma de gestão, mas se configura como um mecanismo multiplicador de resultados, capaz de ampliar o alcance da GD e fortalecer sua sustentabilidade econômica e social.

     

    Cooperativas com Geração Distribuída

    Neste item, são consideradas todas as cooperativas que realizam geração distribuída: tanto aquelas criadas especificamente para a modalidade de geração compartilhada, quanto as que já atuam em diferentes setores da economia ( como agropecuário, crédito, saúde, infraestrutura e serviços) que passaram a adotar a GD como estratégia de gestão energética e de redução de custos em suas atividades.

    Ao analisar o conjunto dessas cooperativas, abrangendo as modalidades de geração compartilhada, autoconsumo e autoconsumo remoto, observa-se um crescimento expressivo:

    • Cooperativas: de 1553 para 1779 (+15%)
    • Usinas: de 5385 para 7058 (+31%)
    • Potência instalada: de 642,9 MW para 977,2 MW (+52%)
    • UCs atendidas: de 210,3 mil para 349,9 mil (+66%)

    Esses dados evidenciam o papel das cooperativas como instrumentos de inclusão energética. Ao ampliar o acesso de consumidores a fontes limpas e economicamente viáveis, o cooperativismo reforça sua dimensão comunitária e social, promovendo a democratização da energia e contribuindo para a redução das desigualdades no setor.

     

    Evolução Nacional da Geração Distribuída

    No panorama nacional, a GD apresentou crescimento significativo entre 2024 e 2025:

    • Potência instalada: de 35,44 GW para 43,57 GW (+23%)
    • Usinas: de 3,13 milhões para 3,87 milhões (+24%)
    • UCs: de 4,68 milhões para 7 milhões (+49%)

    Embora tais números reflitam o avanço geral da GD, é nas cooperativas que se observa o verdadeiro motor da transformação. Elas permitem que consumidores de menor porte, que dificilmente teriam acesso individual à geração própria, participem de projetos coletivos e usufruam dos benefícios da energia renovável. Assim, o cooperativismo se consolida como um vetor essencial da transição energética brasileira.

     

    Comparativo: Cooperativismo x GD Geral

    Ao comparar os indicadores das cooperativas com os da GD nacional, observa-se um desempenho proporcionalmente superior:

    • Enquanto a potência instalada nacional cresceu 23%, nas cooperativas o crescimento foi de 52%.
    • O número de usinas no Brasil aumentou 24%, mas nas cooperativas o salto foi de 31%.
    • As UCs no Brasil cresceram 49%, enquanto nas cooperativas o avanço foi de 66%.

    Esse contraste evidencia que o cooperativismo não apenas acompanha o ritmo da GD nacional, mas o supera em diversos indicadores, consolidando-se como modelo mais dinâmico e inclusivo. O desempenho reforça a ideia de que a força coletiva e a autogestão comunitária são diferenciais estratégicos para acelerar a transição energética.

     

    Conclusão

    O cooperativismo energético vai além de uma alternativa organizacional: é uma estratégia de democratização da energia no Brasil. Ao unir consumidores em projetos coletivos, amplia a escala da geração distribuída, reduz custos e garante acesso a fontes renováveis de forma inclusiva e sustentável.

    Os dados de 2024 e 2025 mostram que o fortalecimento das cooperativas é essencial para o futuro energético nacional, com protagonismo dos consumidores e práticas de autogestão. Nesse contexto, o cooperativismo contribui não apenas para a expansão da potência instalada, mas também para a transição energética, acelerando a substituição de fontes fósseis por renováveis.

    Além disso, desempenha papel ativo no combate às mudanças climáticas, ao reduzir emissões e promover um modelo de desenvolvimento sustentável, comunitário e socialmente justo.

     

    Acesse Dados Cooperativismo GD no energia.coop

    Todos os meses, dados atualizados sobre Geração Distribuída Cooperativa no Brasil são disponibilizados na sessão Fatos e Números da plataforma energia.coop. O objetivo desta base de dados é mostrar a evolução do cooperativismo na geração distribuída de energia elétrica.

    Os dados são obtidos no portal de dados abertos da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), entidade reguladora do setor elétrico no Brasil, e  tratados com as ferramentas Power BI e Excel. O tratamento envolve a segregação das entidades registradas como pessoas jurídicas e, dentre estas, a identificação daquelas que possuem “cooperativa” em seu nome. As informações apresentadas são apenas para fins informativos. A plataforma e os seus administradores não têm responsabilidade sobre as informações fornecidas.

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