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Comunidades energéticas: relatório europeu destaca a atuação local como modelo de negócios futuro.

Comunidades energéticas: relatório europeu destaca a atuação local como modelo de negócios futuro.

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Comunidades Energéticas

Em um contexto global marcado pelo agravamento das mudanças climáticas, instabilidade geopolítica e pressões crescentes sobre as democracias, o debate sobre a transição energética ganha ainda mais urgência e relevância. Na introdução de seu relatório 2025, publicado em meados de maio de 2026, a REScoop.eu, federação europeia das cooperativas de energia,  traz uma análise clara e atualizada desses desafios — ao mesmo tempo em que evidencia caminhos concretos de transformação, especialmente a partir da energia comunitária.

No energia.coop, acompanhamos de perto essas tendências e estudos, e observamos uma convergência significativa: a descentralização, a participação cidadã e o fortalecimento das economias locais não são apenas alternativas, mas pilares essenciais de um novo sistema energético mais justo, resiliente e sustentável. Experiências ao redor do mundo mostram que as Comunidades Energéticas não apenas aceleram a descarbonização, mas também fortalecem a democracia e a autonomia territorial.

Mais do que uma tendência, este movimento aponta para o futuro. As Comunidades Energéticas representam uma mudança estrutural na forma como produzimos, distribuímos e consumimos energia — colocando as pessoas no centro das decisões. Elas não são apenas parte da solução: são o próprio caminho para um modelo energético mais colaborativo, inclusivo e democrático.

Leia a versão completa em português

“2025 foi um dos três anos mais quentes já registrados. A Organização Meteorológica Mundial confirmou que a temperatura média global ficou 1,44°C acima da linha de base de 1850–1900, dando continuidade à sequência de temperaturas globais extraordinárias, enquanto as concentrações de CO₂ na atmosfera continuam a aumentar.

Ao mesmo tempo, os valores democráticos — solidariedade, cooperação e o Estado de Direito — enfrentam pressões que talvez não tivéssemos imaginado anteriormente. Duas décadas de estagnação nos padrões de vida em diversos países impulsionaram o avanço do populismo e intensificaram os desafios à (imperfeita) ordem internacional baseada em regras, liderada pelos Estados Unidos, que moldou os últimos 80 anos.

Além disso, entramos no quinto ano de uma guerra brutal na Europa, agora cada vez mais caracterizada por ataques a infraestruturas energéticas centralizadas.

Ainda assim, este momento não é definido apenas por riscos. O custo das tecnologias de energia renovável continua a cair e sua implantação está se acelerando em escala global. A demanda por carvão na China parece ter atingido o pico. As tecnologias de veículos elétricos avançam rapidamente. Em toda a Europa, o apoio público à transição para energia limpa permanece forte.

Em resumo, estamos equilibrados entre disrupção e transformação.

Esse equilíbrio cria oportunidades para a rede REScoop.eu: a energia local não é apenas um caminho para a descarbonização, mas também uma base para a soberania energética europeia. Ao manter investimentos e valor dentro das comunidades, as comunidades energéticas fortalecem suas economias locais, constroem resiliência social e criam apoio político duradouro para a ação climática. Ao fazer isso, também desenvolvem capacidade democrática e solidariedade prática entre cidadãos.

A democracia energética é uma expressão prática do projeto europeu: cooperação, responsabilidade compartilhada e prosperidade comum tornadas concretas. Com o novo conselho da REScoop.eu, reafirmamos nosso compromisso com nossa missão: capacitar cidadãos e comunidades energéticas para alcançar a democracia energética.

Somos profundamente gratos aos nossos membros, ao Conselho Diretor, parceiros e financiadores por seu compromisso contínuo com uma transição energética justa e democrática. Estendemos agradecimentos especiais ao nosso ex-presidente, Dirk Vansintjan, cujos 12 anos de liderança moldaram e fortaleceram a rede. A transição de liderança em 2025 marca um momento importante para a REScoop.eu e reflete a colaboração transfronteiriça que define nosso movimento.

Temos o prazer de ter acolhido 33 novos membros e apoiadores no último ano, incluindo vários da Europa Oriental. Nossa base de membros agora soma 139 organizações, representando mais de dois milhões de cidadãos europeus. Esse crescimento contínuo demonstra tanto a resiliência do modelo quanto a determinação das comunidades em ajudar a moldar o futuro energético da Europa.

Também temos orgulho do ambicioso portfólio de projetos que a REScoop.eu realizou em 2025, reunindo comunidades energéticas para compartilhar conhecimentos sobre temas como financiamento, colaboração com governos, reformas lideradas por cidadãos e engajamento da sociedade. Além disso, tivemos forte impacto em políticas públicas, garantindo financiamento para comunidades energéticas, defendendo um ambicioso pacote de energia para cidadãos e apoiando nossos membros na implementação nacional da legislação da UE.

Celebramos nosso Fórum anual de 2025, em Cracóvia, que combinou profissionalismo com genuína acolhida e solidariedade. Agora aguardamos com entusiasmo receber membros e parceiros em Jūrmala, na Letônia, em maio de 2026.

Os próximos anos testarão a determinação da Europa. As comunidades energéticas estão preparadas para agir: fortalecendo a resiliência, avançando na descarbonização e renovando a participação democrática a partir da base”. Por Mark Luntley & Ilonka Marselis, Presidente e Vice-Presidente da REScoop.eu. (Tradução para português: energia.coop).

 Veja como a REScoop.eu fortalece Comunidades Energéticas

Os principais projetos da REScoop.eu concentram-se em fortalecer comunidades energéticas lideradas por cidadãos na Europa, combinando financiamento, capacitação e inovação. Entre os exemplos, destacam-se as iniciativas:

  • REScoop Plus, que promove mudanças comportamentais e eficiência energética entre membros;
  • REScoop MECISE, que cria mecanismos financeiros para ampliar investimentos comunitários em energia renovável;
  • Energy Communities Facility, que apoia comunidades a desenvolver planos de negócio com subsídios e capacitaçãoSHINE
  • SPARKLE, voltados à capacitação de autoridades locais e disseminação do modelo;
  • USE DHC, focado em redes de aquecimento e resfriamento comunitárias;
  • Iniciativas como SocialNRG e o Citizen Energy Advisory Hub, que tratam de pobreza energética e participação cidadã.

Em conjunto, esses projetos atuam para ampliar a energia renovável, democratizar o acesso ao sistema energético e fortalecer economias locais por meio de soluções descentralizadas e cooperativas.

  Para saber leia a relatório completo: REScoop-Annual-Report-2025_digital.pdf (inglês)


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